A Polícia Federal concluiu mais duas investigações sobre políticos supostamente beneficiados por propina da Petrobras. Em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF apontou indícios de corrupção e lavagem de dinheiro nos casos dos deputados Neuson Meurer (PP-PR) e Vander Loubet (PT-MS) e também pelo ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Nos inquéritos, a PF informou que eles receberam vantangens indevidas em razão do mandato parlamentar por intermédio do doleiro Alberto Youssef, acusado de operar pagamento de propina a políticos. Agora, o ministro Teori Zavascki, que supervisiona as investigações no STF, deverá enviar os relatórios para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem decidirá se as acusações serão transformadas em denúncias, se os casos serão arquivados ou se serão pedidas novas diligências à PF.
As acusações – Segundo a PF, Meurer recebeu propina em duas parcelas de R$ 250 mil, que teriam sido pagas entre agosto e setembro de 2010 “travestidas de doações” da Construtora Queiroz Galvão a pedido do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Os investigadores dizem que o pagamento foi feito em forma de doações para a campanha eleitoral “de modo a ocultar a natureza dos valores”. “Tais doações, caracterizam-se em verdade como atos de lavagem, verdadeira ‘ocultação às claras’, porquanto a doação, em si, respeitadas as normas eleitorais, não ofende bem jurídico tutelado, porém, quando eivado de ilegalidade na sua essência e motivação, revela-se na verdade como instrumento de consumação ou exaurimento de corrupção”. A PF também narrou que Meurer teria obtido vantagens indevidas de contratos da diretoria de Abastecimento de 2008 a 2013, indo pessoalmente a escritórios de Youssef em São Paulo e também mediante entregas realizadas por Rafael Angulo, emissário do doleiro. No total, os pagamentos totalizaram R$ 1,65 milhão. A PF apontou repasses de R$ 52 mil ao deputado por meio de um posto de gasolina em Brasília entre 2009 e 2010.

