Sobre valor e preço

Um amigo escreveu uma mensagem nas suas redes sociais sobre valorização, utilizando como metáfora o preço de uma garrafa de água mineral, citando que na fábrica o custo era um, na distribuidora de bebidas outro, aumentando nos restaurantes, festas, praia e eventos.

Assim também ocorre com as pessoas, que são mais ou menos valorizadas por aqueles que sintam mais ou menos necessidade das suas habilidades, disponibilidades, recursos, valores, implicação e educação. Um homem bom e digno não será valorizado em certos ambientes onde ter escrúpulos pode ser um impeditivo para determinadas ações. Uma pessoa honesta, adequada, que não mente, pode ser mal vista em certos ambientes. Alguém que valoriza a ordem pode ser malquisto entre desordeiros.

Mesmo nos serviços e tarefas que têm protocolos científicos definidos, alguém que cumpra seu dever e obedeça aos critérios estabelecidos em portarias e leis pode ser mal visto por não ter a “habilidade” de ser “flexível”, descumprindo normas em favor de quem não as cumpre para acomodar alguma vantagem pessoal.

Lembrei ao amigo algo pessoal, por ser mais velho e ter participado de muitas ações técnicas, culturais, religiosas e cidadãs durante minha vida. Quem dá valor às ações da Academia de Letras? Apenas quem gosta de cultura. Quem valoriza a odontologia ou a saúde mental? Quem precisa destes serviços. Quem aprova ações de cidadania, busca por justiça social? Quem disso necessita. Quem valoriza a filantropia, material e espiritual? Quem busca. A maioria das pessoas valoriza o que lhe traz ganho pessoal.

Mesmo entre pessoas que atuam em instituições que buscam o mesmo fim, existe escala de valores, pois um pode ser muito dedicado, outro menos, cada um tendo uma forma de ser, de participar, de contribuir ou não. Quem estica a corda é mal visto pelo acomodado.

A questão maior é que saibamos nosso valor em cada lugar onde atuamos. Um profissional pode atuar em um determinado serviço e não se empenhar tanto, pois o foco da sua vida pode ser apenas o ganho. Um religioso também pode participar de atividades de uma instituição, mas não ser proativo, sendo um direito dele. Alguém pode ocupar um cargo público apenas para se beneficiar e não servir em nada ao público, mas pode ser valorizado se servir quem o empregou.

Se sabemos que nossas escolhas foram direcionadas para nossos talentos, não apenas para a vocação, se nos empenhamos para que o lugar onde atuamos esteja sempre se aperfeiçoando, promovendo bem-estar, podemos ser até pouco valorizados, mas saberemos que temos valor e não preço.

Quem se apequena diante da preguiça, do desafio, do medo e dos riscos não vai querer alguém que o faça sair do lugar e fará o possível para diminuir o valor de quem busca avanços.

Que possamos ter a paciência e a sabedoria de aguardar o momento adequado para sermos valorizados, como a água será no momento de grande calor no meio do deserto.

Cledson Sady
Janeiro de 2026

Membro da Academia Jacobinense de Letras

The post Sobre valor e preço first appeared on .

O conteúdo Sobre valor e preço aparece primeiro em .

Atenção: os artigos deste portal não são de nossa autoria e responsabilidade.
Nós não produzimos e nem escrevemos esse artigo qual você esta lendo.

Entenda: nosso site utiliza uma tecnologia de indexação, assim como o 'Google News', incorporando de forma automática as notícias de Jacobina e Região.
Nossa proposta é preservar a história de Jacobina através da preservação dos artigos/relatos/histórias produzidas na internet. Também utilizamos a nossa plataforma para combater a desinformação nas redes (FakeNews).

Confira a postagem original deste artigo em: https://www.jacobina24horas.com.br/

Em conformidade com às disposições da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) e às demais normas vigentes aplicáveis, respeitando os princípios legais, nosso site não armazena dados pessoais, somente utilizamos cookies para fornecer uma melhor experiência de navegação.