Professor coiteense realiza sonho de assistir desfile da Mangueira na Sapucaí, no ano do seu cinquentenário

Um sonho alimentado desde a infância finalmente se tornou realidade para o professor da rede pública estadual da Bahia, Venício Ferreira da Silva, natural de Conceição do Coité, na região sisaleira. Em 2026, ano em que completa 50 anos, ele realizou o desejo de vivenciar de perto o desfile de uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

“Eu sempre reservava a noite do desfile da Mangueira para assistir pela TV. Mas, como em 2026 completei 50 anos, decidi realizar alguns sonhos. O primeiro foi estar na Sapucaí no dia do desfile da escola”, destacou.

Venício disse ao Calila Notícias que viveu o momento intensamente, mesmo sem desfilar na avenida. “Não desfilei pela escola, mas, do camarote onde eu estava, pertinho da passarela, deliciei-me com o brilho, com a maestria das fantasias, das alegorias e dos adereços, além da garra de cada integrante que passou por ali”, descreveu.

Arquivo pessoal

Ao final da experiência, o sentimento foi de realização. “Saí de lá realizado e com a certeza de que sonhos se realizam, sim. E que a vida sempre vale a pena!”, concluiu.

Encanto pelo Rio surgiu na pré-adolescência

Venício disse ao CN que encanto pelo Rio surgiu ainda na pré-adolescência, influenciado pelas novelas e transmissões carnavalescas exibidas pela Rede Globo. “Desde a fase pré-adolescente, influenciado pela programação da TV, sempre dizia à minha mãe que adoraria conhecer o Rio de Janeiro e morar lá”, relembrou.

Arquivo pessoal

Apaixonado por teatro desde cedo, ele conta que participava de pequenas peças na escola e também em um grupo ligado à igreja católica de Coité, o que fortaleceu ainda mais o desejo de estudar dramaturgia na capital fluminense. “Cresci desejando estudar teatro no Rio”, afirmou.

Ainda jovem, uma oportunidade quase mudou sua história. A passagem do cantor Michael Jackson pelo Brasil, com gravações no Rio e em Salvador, despertou no então adolescente a vontade de viajar para ver o ídolo de perto. “Enlouqueci com a ideia de ver meu ídolo e conhecer a Cidade Maravilhosa. Cheguei a ver passagens, hospedagem e até preparei um figurino”, contou. No entanto, a viagem não aconteceu. “Mamãe, superprotetora, não permitiu. Dizia que a televisão mostrava muita violência e que não deixaria o filho ir. Não fui, não vi Michael Jackson nem conheci o Rio.”

Venício Ferreira da Silva é professor há 26 anos e atualmente leciona no Colégio Estadual do Campo Rio Branco, na comunidade de Juazeirinho, em Conceição do Coité | Arquivo pessoal

Com o passar dos anos, Venício concluiu a educação básica e o ensino superior, e conseguiu, enfim, conhecer o Rio de Janeiro — cidade que visitou outras vezes. Apesar disso, ainda faltava realizar um desejo especial: assistir ao desfile da Mangueira na Sapucaí que aconteceu no momento especial, no ano do seu cinquentenário de vida (1976-2026).

Sobre a Estação Primeira de Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira é uma das mais tradicionais e respeitadas escolas de samba do Brasil, símbolo do Carnaval do Rio de Janeiro.

Fundada em 28 de abril de 1928, no Morro da Mangueira, a escola nasceu da união de sambistas históricos como Cartola, Carlos Cachaça e Zé Espinguela, tornando-se rapidamente uma referência cultural do samba carioca.

Mangueira desfilou na noite de segunda-feira, 15/02/26

Com suas cores marcantes — verde e rosa —, a Mangueira construiu uma trajetória vitoriosa. É a segunda maior campeã do Carnaval do Rio, somando 20 títulos, incluindo conquistas recentes como 2016 e 2019.

Além dos títulos, a escola tem enorme relevância cultural e social, sendo responsável por revelar e consagrar grandes nomes do samba, como Cartola e o intérprete Jamelão, considerados ícones da música brasileira.

A Mangueira também reúne, ao longo dos anos, diversos admiradores e participantes famosos em seus desfiles ou na torcida, entre eles artistas como Chico Buarque, Alcione e Milton Nascimento, além de nomes da televisão e do entretenimento.

Reconhecida pelo forte vínculo com a comunidade e pela qualidade de seus enredos, a escola segue sendo um dos maiores espetáculos da Marquês de Sapucaí, levando para a avenida não apenas luxo e criatividade, mas também mensagens históricas, culturais e sociais.

Redação CN

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