A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, após marcar os mesmos 5,4% nos três meses encerrados em outubro, que servem de base de comparação. Esses são os números mais baixos da série histórica comparável.
Os dados fazem parte da Pnad-Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgados nesta quinta (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento inclui tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.
A mediana das projeções do mercado financeiro também era uma taxa de 5,4%, segundo a agência Bloomberg.
A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, afirma que os resultados do trimestre apontam para a estabilidade dos indicadores de ocupação, com os bons resultados do final de 2025 compensando o movimento sazonal de dispensa de empregados no início do ano.
Analistas do setor privado veem um mercado de trabalho ainda forte, pressionando os indicadores de inflação e impedindo cortes mais significativos da taxa básica de juros. Ainda assim, projetam ligeiro aumento do desemprego ao longo do ano.
Até a divulgação desta quinta, a menor taxa de desemprego registrada em todos os trimestres da série histórica havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.
Esse valor de 5,4% configura uma estabilidade estatística em relação ao trimestre anterior. É a menor taxa da série comparável, não a menor taxa de toda a série histórica, afirma a coordenadora do IBGE.
Ela explica que há no mês de janeiro uma tendência de redução no contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, mas diz que os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.
Esse efeito sazonal ainda não é suficientemente forte para neutralizar os efeitos de expansão do mercado de trabalho no fim de 2025.
No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve queda de 17,1%.
Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões.
Os indicadores de subutilização da força de trabalho também estão no menor patamar da série comparável. A taxa é de 13,8% quando se soma pessoas procurando trabalho, trabalhando menos do que gostariam ou que não estão procurando emprego, mas possuem disponibilidade.
População ocupada
Já o número de ocupados com algum trabalho alcançou 102,7 milhões. Houve aumento de 1,7% (1,7 milhões a mais de pessoas) no ano. O nível de ocupação foi de 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescendo 0,5 ponto percentual no ano (58,2%).
A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes.
A coordenadora da pesquisa diz que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória desde 2023.
No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria, afirma.
Renda média
No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Esse é o maior valor da série em termos reais (com ajuste pela inflação).
A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.
"O crescimento do rendimento no segmento formal e informal contribuiu para que essa massa tivesse crescimentos sustentados e sucessivos nos últimos anos", afirma Beriguy.
Tendência
André Valério, economista sênior do banco Inter, afirma que os indicadores ainda sugerem um mercado de trabalho extremamente resiliente, mas diz não ver espaço para uma melhora continuada nesses dados.
Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades, afirma.
Ele projeta que a taxa de desocupação continue aumentando, especialmente no primeiro trimestre, mas descarta um cenário de piora significativa. A expectativa é de que o desemprego encerre 2026 em 5,5%.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o mercado de trabalho deve seguir resiliente ao longo do ano, sustentando a renda e impulsionando o consumo das famílias.
Ainda assim, projetamos uma alta gradual da taxa de desemprego nos próximos meses, explicada principalmente pela sazonalidade e pelo arrefecimento do crescimento, de modo que o indicador deve encerrar 2026 em 6%.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também afirma que o ritmo de criação de vagas deve mostrar alguma moderação ao longo de 2026.
Nossa projeção é de que o mercado de trabalho permaneça aquecido, com a taxa de desemprego encerrando o ano um pouco acima de 5%.
O que é desemprego?
Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.
Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades.
Como funciona a Pnad Contínua?
É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.
Como é medida a taxa de desemprego?
É o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas que estão desempregadas.
A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal —ou seja, com ou sem carteira ou CNPJ.
O que explica o desemprego baixo?
Segundo economistas, ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa.
Isso é uma boa notícia?
O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores.
Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?
Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que aumenta a demanda por bens e serviços.
Assim, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo para conter a alta dos preços.
Fonte: Bahia Notícias / Foto: Reprodução
