Nas comunidades rurais, nos territórios tradicionais e nas associações e cooperativas da agricultura familiar, são elas que mantêm viva a produção de alimentos, a cultura e a esperança. Essa força das mulheres, protagonistas do rural baiano, tem sido potencializada com a execução de políticas públicas estratégicas do Governo do Estado, a exemplo da assistência técnica e extensão rural (Ater), da implantação de agroindústrias familiares e de quintais produtivos, que vêm gerando renda e promovendo autonomia para milhares de mulheres.
Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, histórias de agricultoras familiares da Bahia evidenciam como políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural têm ampliado oportunidades e fortalecido o protagonismo feminino no campo.
Essas políticas públicas, executadas pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), têm valorizado e dado visibilidade ao trabalho dessas mulheres, que hoje assumem, inclusive, funções de liderança em organizações produtivas em diversas regiões da Bahia.
Uma dessas lideranças da agricultura familiar é Aline Silva, atual presidente da Cooperativa Agropecuária de Mulheres e Jovens do Semiárido (Coomafs), organização produtiva que integra a Rede Semiárido Forte e reúne mais de 33 grupos produtivos nos territórios da Bacia do Jacuípe e do Piemonte da Diamantina. A cooperativa também faz a gestão da loja do Coreto da Agricultura Familiar, em Jacobina.
“Falar de políticas públicas, para mim, é motivo de muita satisfação. Eu sou filha de políticas públicas. Sou assentada da reforma agrária em Ourolândia, no assentamento Lagoa de Dentro, e faço parte do grupo produtivo Delícias do Quintal, que surgiu a partir de uma política pública, o projeto Pró-Semiárido. Hoje tiro meu sustento dele, assim como muitas outras companheiras. As políticas públicas, nos últimos anos, têm transformado de forma significativa a vida de muitas mulheres”, ressalta Aline.
A presidente da Coomafs observa ainda que políticas públicas como o acesso à terra, o Pronaf Mulher, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de ações de segurança alimentar, são fundamentais para fortalecer a produção das mulheres rurais, promover a igualdade social e de gênero e ampliar a autonomia financeira. “Muitas mulheres conseguem hoje garantir o próprio sustento com o seu trabalho, o que também contribui para romper ciclos de violência doméstica e psicológica”, afirma.
Entre as ações executadas pela CAR, a partir de convênio com a Coomafs, estão a implantação de uma agroindústria de seleção de frutas e hortaliças e de uma cozinha comunitária.
Mulheres fortalecem cooperativa e ampliam geração de renda
Agricultora e filha de agricultores, Meirevanda Oliveira dos Santos, que está no segundo mandato como presidente da Cooperativa dos Trabalhadores na Agricultura Familiar, Economia Solidária e Sustentável dos Territórios Vale do Jiquiriçá e Baixo Sul da Bahia (Coopeipe), destaca que, apesar dos desafios, estar à frente de uma cooperativa é motivo de orgulho e aprendizado diário.
“Somos três mulheres na gestão da cooperativa e da agroindústria de polpas de frutas, fazendo história e deixando um legado. Com a chegada da agroindústria, muita coisa melhorou em nossas vidas. A Coopeipe ganhou visibilidade, passou a comercializar mais, gerar empregos e fortalecer a independência das mulheres. Isso é muito importante para a nossa autonomia”, celebra Meirevanda.
Com o apoio do Governo do Estado na implantação de uma agroindústria de beneficiamento de frutas, no município de Amargosa, sob gestão da Coopeipe, a realidade de agricultores e agricultoras familiares de comunidades rurais do território Vale do Jiquiriçá vem sendo transformada.
O trabalho dessas mulheres, que representam 80% dos cooperados entre as mais de 300 famílias beneficiadas, transforma em polpas de frutas e, consequentemente, em renda, aquilo que antes muitas vezes era desperdiçado nas propriedades por falta de infraestrutura para produção e comercialização.
Compromisso com a equidade de gênero
A CAR também tem intensificado as ações voltadas para as mulheres rurais, que são maioria na agricultura familiar, garantindo a participação feminina em diferentes frentes das políticas públicas.
Atualmente, a equidade de gênero também se reflete na estrutura da companhia. Mais de 50% dos cargos de chefia e coordenação são ocupados por mulheres, além da presença expressiva de técnicas nas equipes de campo que atuam em todos os territórios de identidade da Bahia.
Foto: Acervo Coomafs
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