A masculinidade tóxica de Angelo Coronel


O senador Angelo Coronel (PSD) reclamou que o governador Rui Costa comete “discriminação às candidaturas masculinas” ao defender o nome da major Denice Santiago como postulante do PT à Prefeitura de Salvador. É irônico que a comandante da Ronda Maria da Penha tenha que lidar com mais um exemplo de masculinidade tóxica. Recorrente, inclusive, no caso de Coronel. Não é a primeira vez que ele ecoa o machismo estrutural. E, não nos enganemos, não será a última.

Partiu dele a iniciativa de propor o fim da cota para candidaturas femininas, em um dos primeiros atos ao chegar ao Senado. A justificativa era coibir o uso de candidatas laranjas para cumprir a cota de 30% designada pela legislação. Poderia parecer um motivo nobre, mas nem com um banho de ouro essa pílula seria dourada. Há uma predominância do controle masculino das siglas e são raros os partidos que efetivamente contribuem com a participação feminina em disputas eleitorais. Essa proposta esdrúxula de Coronel só serviria para manter o status quo dos caciques, enquanto mulheres continuariam relegadas a coadjuvantes ou personagens terciários ou sem relevância no processo político.

É claro que a candidatura de Denice Santiago não pode ser reduzida apenas ao “preconceito” contra homens na disputa. Nem a dela nem as de nomes como Olívia Santana (PCdoB) e Lídice da Mata (PSB), que seguem como pré-candidatas à prefeitura de Salvador. A participação de uma mulher no pleito nunca poderia ser minimizada como “discriminação” a candidaturas masculinas. As mulheres são agentes políticas tão importantes quanto os homens – inclusive são maioria do eleitorado brasileiro, ainda que isso não seja traduzido em uma maior representatividade delas nos executivos e legislativos.

No entanto, pessoas como Coronel vão insistir nesse reducionismo. Para ele, cercado de uma série de privilégios históricos, é natural fazer o “menino birrento” para reclamar caso seja preterido por uma mulher numa disputa. O mesmo Coronel que, em 2018, foi um dos protagonistas de uma chapa integralmente masculina, que expurgou Lídice de uma candidatura natural à reeleição – uma prelazia tradicional na esquerda clássica.

Denice, Olívia e Lídice devem sofrer inúmeros questionamentos em processo eleitoral. A sociedade machista já as obriga a se esforçar mais do que qualquer homem, principalmente quando se trata de um homem branco heterossexual. Se candidatas, têm que falar bem sobre saúde, educação, infraestrutura e qualquer outro tema caro à população soteropolitana. E ainda terão que ouvir e enfrentar absurdos como serem reduzidas ao fato de serem “apenas” mulheres.

Fonte: Bahia Noticias

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