O Conselho Federal de Medicina (CFM) discute a elaboração de uma resolução para impedir que mais de 13 mil estudantes do último semestre de Medicina obtenham registro profissional por não alcançarem a nota mínima no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).
A proposta ganhou força após o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) identificar que 30% dos formandos avaliados ficaram na faixa considerada insatisfatória. Entre os 351 cursos de Medicina analisados, 107 receberam conceitos 1 ou 2. O CFM defende que todos os cursos em funcionamento no país alcancem, no mínimo, nota 4.
Em nota, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou que o resultado acende um alerta sobre a qualidade da formação médica e os riscos à população. “São mais de 13 mil graduados em Medicina que receberão diploma e registro para atender a população sem as competências mínimas para exercer a profissão. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, declarou.
O Conselho também solicitou ao Ministério da Educação (MEC) acesso aos dados detalhados dos estudantes, incluindo informações individuais de desempenho. Atualmente, conforme a legislação vigente, todo estudante que conclui o curso de Medicina tem direito ao registro profissional automático, sem a exigência de avaliação prévia.
Paralelamente, dois projetos de lei que tratam da avaliação de profissionais da área avançam no Congresso Nacional, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal. As propostas preveem a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), nos moldes do exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Fonte: Bahia Notícias parceiro do Calila