Território Litoral Norte e Agreste Baiano – A força da organização das mulheres da agricultura familiar tem ganhado destaque no município de Ouriçangas, especialmente nas comunidades quilombolas, onde iniciativas produtivas vêm fortalecendo o protagonismo feminino e abrindo novas perspectivas de desenvolvimento para as famílias da região.
Recentemente, um projeto elaborado para atender comunidades quilombolas do município foi classificado em primeiro lugar entre mais de 300 propostas apresentadas em todo o estado da Bahia, dentro de um edital voltado ao fortalecimento dessas comunidades tradicionais. O resultado evidencia a capacidade de organização das entidades locais e o potencial produtivo existente nos territórios.

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Entre as instituições envolvidas na iniciativa está a Cooperativa de Ouriçangas, que tem como presidente Jamile Santos Mota, técnica em agropecuária. A cooperativa atua no fortalecimento das atividades produtivas e na organização das famílias envolvidas nas ações comunitárias, contribuindo para ampliar as oportunidades de geração de renda e desenvolvimento local.

Para a presidente o resultado mostra a força da organização das mulheres e das comunidades. “Com união, participação e trabalho coletivo, estamos mostrando que é possível transformar realidades, fortalecer a agricultura familiar e ampliar as oportunidades para as famílias e para as futuras gerações”, afirmou.

A mobilização feminina tem sido um dos pontos mais marcantes desse processo. As mulheres participam ativamente da elaboração de projetos, da organização das comunidades e da construção de iniciativas que valorizam a agricultura familiar e a economia solidária.
Uma das lideranças que tem acompanhado e contribuído com essas ações é Simone Santos, mais conhecida como Simone do Iraí. Reconhecida como uma importante liderança política do município, ela tem atuado no apoio às iniciativas de desenvolvimento social e produtivo em diversas comunidades da Bahia.
Segundo Simone, o reconhecimento do projeto demonstra a capacidade de organização das comunidades e o protagonismo das mulheres na construção de alternativas para o desenvolvimento local.

“O resultado mostra que quando a comunidade se organiza e participa, as políticas públicas chegam com mais força. As mulheres têm sido protagonistas nesse processo e isso é motivo de muito orgulho para todos nós”, destacou.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a relevância dessas iniciativas. Ouriçangas aparece como o segundo município da Bahia com maior número de pessoas autodeclaradas negras e ocupa a terceira posição em todo o Brasil, o que evidencia a importância de políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas e aos territórios tradicionais.