Novelas de frutas com IA podem ser um perigo para crianças



A tendência das novelas de frutas feitas com Inteligência Artificial (IA) tem acendido um alerta para os pais. Os desenhos, produzidos por internautas, não possuem restrição clara de idade e podem ser facilmente acessados por crianças.

Com roteiros baseados em traições, sexualização e violência, as histórias servem como um gatilho de influência negativa para os pequenos, que costumam receber os conteúdos em diversas plataformas digitais, como Instagram, TikTok e Youtube.

Psicóloga Infanto-Juvenil, Nariana Nery explicou que a exposição precoce das crianças a este tipo de conteúdo pode causar uma normalização inconsciente das atitudes reproduzidas no desenho, como xingamentos e atos agressivos.


“Existe um risco real, principalmente porque a infância é marcada por aprendizagem, observação e imitação. Quando comportamentos agressivos ou de exclusão aparecem em um contexto ‘fofo’ e aparentemente inofensivo, a criança pode ter dificuldade de reconhecer aquilo como inadequado”, disse ela ao portal A TARDE.

A profissional ainda reforçou que a hipersexualização dos personagens também pode ser prejudicial para as crianças. “A exposição precoce a conteúdos com conotação sexual, mesmo que disfarçados ou sutis, pode antecipar curiosidades e comportamentos que não são compatíveis com a fase do desenvolvimento da criança”, afirmou.

“Isso pode impactar a forma como ela entende o próprio corpo, os relacionamentos e os limites, muitas vezes sem maturidade emocional para elaborar esses conteúdos”, completou.


Prejuízo na alimentação

Outra preocupação que surge com o acesso das crianças a esses conteúdos é a recusa dessas frutas e legumes na alimentação do dia a dia, devido a associação ao comportamento delas nos desenhos animados.

Nariana Nery afirmou que é comum que os pequenos tenham esse tipo de comportamento, principalmente na fase da primeira infância. “É comum que elas tenham um pensamento mais mágico e simbólico, o que pode levar à confusão entre fantasia e realidade”, relatou.

“Nesse sentido, algumas crianças podem desenvolver resistência ou estranhamento em relação ao alimento, principalmente se ele for associado a emoções desagradáveis, como medo e nojo.”

Controle dos pais

Vale ressaltar que menores de 16 anos não possuem acesso legal às redes sociais. Evitar esta exposição precoce e mudanças no comportamento das crianças é missão dos pais e responsáveis.

“As crianças estão sendo inseridas ao contexto tecnológico cada vez mais cedo, e, consequentemente, expostas ao risco de conteúdos inapropriados. Já se faz necessárias essa orientação e diferenciação de fantasia e realidade desde quando a criança passa a consumir esses conteúdos, com foco preventivo, usando uma linguagem simples e adequada à idade”, destacou a psicóloga.

“Por volta dos 4 a 5 anos, a criança já começa a compreender melhor essa distinção, mas isso deve ser reforçado continuamente. Mais do que apenas proibir, o ideal é que os pais acompanhem o que a criança assiste, conversem sobre os conteúdos e estabeleçam limites claros”, reforçou.

Por fim, a Dra. Nery orienta que os responsáveis façam uma curadoria de conteúdos consumidos pelos filhos. “O uso de ferramentas de controle parental, a curadoria dos conteúdos e, principalmente, a presença ativa dos adultos/cuidadores fazem toda a diferença”, concluiu.

A Tarde

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