“O projeto foi como um despertar”, define a jovem Ester Lima, 20 anos. Uma das participantes da segunda edição do Repórter Comunidade Cabula, iniciativa promovida pela Comunicação Institucional do Einstein Hospital Israelita, responsável pela gestão do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), ela chegou a deixar a escrita de lado por medo de não ser boa o bastante. No projeto, contudo, voltou a se aproximar de uma atividade que fazia parte de sua vida desde a infância.
Com os objetivos de ampliar o acesso a informações confiáveis sobre saúde e ciência e fortalecer o papel dos jovens como agentes de transformação em seus territórios, o Repórter Comunidade, teve a segunda edição do projeto no Cabula, realizada no primeiro semestre de 2026. Ao todo, 19 jovens participaram de aulas teóricas e práticas voltadas à produção de conteúdo sobre saúde e ciência. O resultado foi o lançamento da segunda edição da revista +Saúde no Cabula.
O projeto proporciona uma experiência prática em comunicação, com foco na produção de reportagens jornalísticas, e dá continuidade ao programa mantido pelo Einstein há cinco anos na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, onde mais de 80 alunos já foram formados. Em Salvador, participaram jovens de 16 a 22 anos moradores de regiões periféricas, incluindo o Cabula, onde está localizado o Hospital Ortopédico.
“É parte da missão do Einstein disseminar informação de qualidade para a população e ajudar a preparar cidadãos capazes de cuidar da sua saúde no dia a dia”, explica a diretora executiva de Comunicação Institucional do Einstein e idealizadora da iniciativa, Débora Pratali. “Mas isso só é possível a partir do entendimento das características e necessidades de cada público e região. Por isso, ao nos juntarmos aos jovens das periferias de Salvador, conseguimos gerar, de maneira legítima, uma transformação na saúde de suas comunidades”, acrescenta.
Em Salvador, o programa já formou duas turmas. Cada grupo participou, durante quatro meses, de aulas gratuitas sobre produção jornalística e temas como método científico, história do Sistema Único de Saúde (SUS) e do próprio território. A formação também destacou a importância do jornalismo baseado em fontes confiáveis e evidências científicas como ferramenta de combate à desinformação.
A partir dos conhecimentos adquiridos durante as aulas, os jovens foram a campo para apurar temas relevantes para suas comunidades, entrevistar especialistas e transformar experiências e vivências locais em reportagens. O trabalho resultou na produção da revista +Saúde no Cabula, distribuída em versões impressa e digital.
Revista
A segunda edição, lançada nesta quinta-feira (10), tem tiragem de 6 mil exemplares e será distribuída gratuitamente no hospital e em pontos de grande circulação do bairro. A publicação reúne reportagens produzidas pelos participantes a partir de temas presentes em seu cotidiano, com abordagens relacionadas à saúde física e mental, qualidade de vida e prevenção.
Entre os assuntos tratados estão cigarro eletrônico, apostas online, neurodivergências, deficiências físicas, menopausa, terapia hormonal para pessoas trans, musicoterapia e problemas ortopédicos, como a osteogênese imperfeita.
Além de aprender técnicas de apuração e escrita, a jovem Ester Lima recuperou a confiança para colocar suas ideias no papel e passou a observar de outra maneira o território onde vive. Ela começou a prestar mais atenção às pessoas que movimentam a comunidade, aos projetos educacionais, às iniciativas de lazer e às histórias que nem sempre despertam o interesse da grande mídia.
Para Ester, quando os próprios moradores assumem a responsabilidade de contar essas histórias, também muda a maneira como a periferia é percebida. “Passamos a enxergar o lugar que moramos como um local com futuro, com vida ativa”.
A experiência também despertou na jovem o desejo de levar esse olhar adiante e, no futuro, atuar na comunicação de iniciativas desenvolvidas no próprio bairro.
Com duas turmas concluídas em Salvador, o Repórter Comunidade demonstra o potencial de impacto social da iniciativa ao formar jovens comunicadores e ampliar o acesso da população a informações confiáveis. O projeto também fortalece os vínculos entre o hospital e o território, valoriza a voz da comunidade e contribui para que os moradores tenham mais recursos para cuidar da própria saúde.
A próxima turma do Repórter Comunidade no Cabula tem início previsto para março de 2027. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado pelo projeto.
Podem participar jovens moradores de regiões periféricas de Salvador que estejam cursando o 9º ano do Ensino Fundamental, qualquer série do Ensino Médio ou que já tenham concluído essa etapa de ensino.
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