Um avião suspeito vindo da Bolívia mobilizou duas aeronaves militares da Força Aérea Brasileira (FAB). Após perseguição, dono do avião realizou um pouso forçado em Juara (MT), ateou fogo à própria aeronave e fugiu.
Operação realizada nesta sexta-feira (23) mobilizou um caça A-29 Super Tucano e uma aeronave E-99, utilizada como plataforma de alerta aéreo antecipado. A operação foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).
Piloto pousou, incendiou avião e fugiu
Durante a interceptação, o A-29 passou a acompanhar de perto a trajetória do Cessna. O E-99 auxiliou a operação com seus sistemas capazes de localizar aeronaves que voam em baixa altitude e em áreas de difícil monitoramento.
Ao notar a presença do caça brasileiro, o piloto decidiu realizar um pouso forçado nas proximidades de Juara, município situado a cerca de 550 quilômetros de Cuiabá, no noroeste de Mato Grosso.
Porém, a interceptação de rotina teve um final curioso que pode revelar motivações criminosas. Segundo a FAB, o próprio piloto do avião colocou fogo no Cessna e abandonou a região, escapando antes que pudesse ser localizado.
Toda a ação ocorreu em coordenação com a Polícia Federal, enquanto o piloto do A-29 acompanhava a movimentação. A operação integrou as medidas utilizadas para vigiar o espaço aéreo e reagir a voos considerados irregulares.
Investigação posterior
As buscas pelo piloto continuaram em uma pista clandestina na zona rural de Juara. Na manhã seguinte, equipes de segurança localizaram um homem de 39 anos apontado como responsável pela aeronave.
Segundo o registro policial, o suspeito atirou contra agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) durante a abordagem. Houve confronto, e o homem foi atingido. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal de Juara, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
Com ele, foram encontradas uma pistola calibre .22 e munição. Após a perícia do interior da aeronave, foram identificados vestígios de entorpecentes carbonizados. Porém, devido ao incêndio, é impossível quantificar o volume do material transportado.
FAB já havia interceptado outro avião vindo da Bolívia
O episódio ocorreu poucos meses depois de outra interceptação envolvendo uma aeronave suspeita que também havia partido da Bolívia. Naquela ocasião, em julho, dois A-29 Super Tucano foram mobilizados pela FAB.
Diferentemente da ocorrência de outubro, naquela operação a tripulação não obedeceu às determinações transmitidas durante a abordagem. A FAB chegou a executar o Tiro de Detenção (TDE), e o avião acabou fazendo um pouso forçado em Mato Grosso do Sul.
Depois dos disparos, a aeronave pousou em uma pista não preparada, cerca de 200 km ao norte de Campo Grande (MS). Quando um helicóptero da Polícia Militar chegou, o avião estava abandonado e sem tripulantes.
Um veículo local que acompanhou a operação informou ainda que não foram encontradas drogas nem outros materiais ilícitos dentro da aeronave e que os ocupantes haviam fugido antes da chegada das forças de segurança.
Correio
