‘Joguem esse lixo pela janela’: agente da PF revela ofensas a Lula durante voo após prisão


O transporte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a sede da Polícia Federal, em Curitiba, após sua prisão, em abril de 2018, foi marcado por ofensas. Durante os cerca de 15 minutos de voo entre o aeroporto Afonso Penna, em São José dos Pinhais (PR), e a unidade da PF, o agente federal Jorge Chastalo Filho ouviu frases como "Joguem esse lixo pela janela" e "Não o soltem nunca mais”, destinadas a Lula.

A experiência vivida durante o período em que acompanhou Lula na prisão é relatada por Chastalo Filho no livro "Banho de Sol —os 580 dias da prisão de Lula", que será lançado nesta terça-feira (3). Os capítulos iniciais da obra, publicada pela editora WMF Martins Fontes, foram obtidos com exclusividade pelo UOL e revelados em reportagem publicada também nesta terça pelo portal.

Ao longo de 592 páginas, o agente que ficou conhecido como "Rodrigo Hilbert da Federal", construiu a narrativa em ordem cronológica, com formato de diário. 

Na obra, o autor conta que as manifestações durante o trajeto aéreo levaram o comandante do helicóptero a intervir e pedir que os ocupantes mantivessem a comunicação restrita ao necessário. "Peço que respeitem meu trabalho e se limitem a falar na fonia somente o essencial", disse o piloto. A controladora de voo do aeroporto Bacacheri, situado próximo à sede da PF, também chamou a atenção para o fato de que "toda fonia é gravada, e isso poderá ser utilizado contra vocês [quem se manifestava]".

Ainda segundo o UOL, o livro só foi lançado agora porque a editora WMF Martins Fontes decidiu aguardar o fim das eleições presidenciais para evitar que a obra fosse usada como "peça política ou instrumento de campanha".

Confira a sinopse oficial do livro:

Sinopse

O livro é um registro histórico de valor inestimável. E só poderia ter sido escrito por uma única pessoa: o agente da Polícia Federal paranaense Jorge Chastalo Filho. Foi ele a pessoa que mais conviveu com Lula durante um ano e sete meses.

Chastalo liderava a equipe de agentes responsável – entre outras tarefas – por todas as demandas diárias da carceragem da Superintendência paranaense da PF, o prédio no qual Lula ficou detido nesse período.

Genuinamente interessado por política e por cultura, o agente aproveitou a convivência ao máximo. Foram centenas de horas de conversa sobre os mais variados assuntos. Graças à sua enorme disciplina e tirocínio, começou um diário revelador dos 580 dias antes mesmo de Lula entrar na diminuta cela. Procurando sempre se orientar pelo certo, Chastalo muitas vezes desagradou Lula, quando, por exemplo, negava diversos pedidos seus. Mas, por outro lado, permitiu atravessar de forma digna o período preso a salvo do mar revolto de ódio que o cercava. Até sair como quis: pela porta da frente, sem tornozeleira e de cabeça erguida.

Personagens

Lula ficou preso entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR). Em março de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do presidente, reconhecendo a incompetência da Justiça Federal de Curitiba e a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro.

Já o autor do livro, Jorge Chastalo Filho, nasceu em um sítio no interior do Paraná e se mudou para Curitiba aos 12 anos, com a mãe, em busca de melhores oportunidades de estudo. Na capital paranaense, Jorge Chastalo Filho formou-se em Direito e, anos depois, passou no disputado concurso para agente da Polícia Federal. Atualmente, é coordenador do Núcleo de Operações da PF paranaense.

Correio

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