Considerada um dos passos mais emblemáticos no combate à violência contra a mulher no Brasil, a Lei Maria da Penha completa uma década no mês de agosto e já ajudou a salvar muitas vidas. Ainda assim, quase cinco mil mulheres são assassinadas por ano no nosso país, sendo que mais da metade desses homicídios acontece dentro de casa. Foi um longo caminho até que Maria da Penha, farmacêutica cearense de 70 anos de idade, conseguisse que o ex-marido sofresse as consequências de seus crimes. "Eu tentei denunciar o meu marido e o delegado o chamava para me buscar na delegacia. Achavam que eu estava louca", lembra ela, que escapou da morte nas mãos do ex-cônjuge duas vezes - na primeira, ela levou um tiro nas costas que a deixou paraplégica e, na segunda, já na cadeira de rodas, foi eletrocutada. "Foram 19 anos e seis meses de luta para que eu conseguisse que meu agressor fosse punido", conta a farmacêutica, que teve de escrever um livro e recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

