A repercussão da série Tremembé, que se tornou um dos fenômenos de 2025, ultrapassou a ficção e provocou efeitos concretos no sistema prisional paulista. Nos meses seguintes ao lançamento da produção do Prime Video, o governo de São Paulo iniciou uma série de transferências de detentos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional que estavam concentrados na Penitenciária II de Tremembé.
A principal motivação do movimento foi enfraquecer a associação da unidade ao rótulo de “presídio dos famosos”, apelido que ganhou força após o sucesso da série. Entre novembro e dezembro do ano passado, ao menos cinco presos conhecidos nacionalmente deixaram a penitenciária, em um processo descrito como silencioso e planejado.
Presos transferidos
Foram transferidos Robinho, Thiago Brennand, Ronnie Lessa, Fernando Sastre de Andrade Filho e Walter Delgatti Neto – todos condenados por crimes de ampla repercussão. Em parte dos casos, a iniciativa partiu dos próprios detentos, que alegaram desconforto com a exposição, excesso de atenção e a convivência forçada com outros presos célebres. Alguns deles, inclusive, foram levados para unidades com ocupação acima da capacidade.
Condenado a nove anos de prisão por estupro, o ex-jogador Robson de Souza, o Robinho, deixou Tremembé em 18 de novembro e foi encaminhado ao Centro de Ressocialização de Limeira, após pedido formal apresentado por sua defesa. De acordo com o blog “True Crime”, ele se queixava de fofocas e da notoriedade adquirida pela penitenciária após a série. Situação semelhante ocorreu com Thiago Brennand, também condenado por estupro, que foi transferido em 12 de novembro para a Penitenciária I de Guarulhos, destinada a criminosos sexuais, onde permanece após ter solicitado a mudança.
Já no caso de Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco, a transferência aconteceu em 22 de novembro, depois de quatro pedidos feitos por seus advogados. Conforme o blog “Segredos do Crime”, o temor de envenenamento após a delação premiada – na qual apontou os supostos mandantes do crime que também vitimou o motorista Anderson Gomes – pesou na decisão.
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, réu por assassinato, foi transferido em 18 de dezembro para a Penitenciária II de Potim. Ele é acusado de causar a morte de Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, após colidir um Porsche 911, em alta velocidade, contra um Renault Sandero, em março de 2024. Para a mesma unidade foi encaminhado Walter Delgatti Neto, o hacker de Araraquara, condenado por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos. A mudança ocorreu por determinação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Em 12 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a progressão de Delgatti para o regime semiaberto.
Fonte: Correio
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