De elogios a abusos: ginecologista suspeito de estuprar pacientes usava ‘exames’ para cometer crimes

O que deveria ser um ambiente de cuidado e segurança se transformou em cenário de traumas para, pelo menos, duas dezenas de mulheres em Goiás. O ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, preso por estupro contra pacientes, tinha um comportamento predatório e sistemático dentro de consultórios em Goiânia e Senador Canedo.

As investigações detalham que os crimes não eram impulsivos, mas seguiam um roteiro de manipulação. O suspeito iniciava os atendimentos buscando proximidade emocional, especialmente com mulheres que atravessavam fases delicadas ou jovens que passavam pela primeira experiência ginecológica.

Segundo a delegada Amanda Menuci, responsável pelo caso, o médico construía uma falsa sensação de segurança antes de avançar. “As primeiras consultas normalmente eram marcadas por toques físicos indesejados, perguntas inapropriadas, questões sexuais sobre parceiros e sobre vida íntima”, relatou a delegada.

Com o tempo, o assédio evoluía para atos explícitos de violência. De acordo com os depoimentos, Marcelo Arantes ignorava protocolos básicos de higiene e ética, como o uso de luvas, para satisfazer desejos próprios sob o pretexto de realizar diagnósticos.

“Após, iniciavam-se os atos libidinosos propriamente ditos: exames realizados sem luvas, exames realizados desnecessariamente quando não havia indicação médica para aquele ato, perguntas durante os atos que demonstravam claramente a finalidade libidinosa”, completou Menuci.

A delegada detalhou ainda que o comportamento se repetia de forma quase coreografada. Durante procedimentos como o ultrassom transvaginal, o médico utilizava movimentos que não possuíam qualquer finalidade clínica.

O relato oficial aponta que ele “tocava libidinosamente as partes íntimas delas, quando era exame de toque, tocava os seios juntamente, quando tinha que fazer o exame endovaginal de ultrassom, ficava masturbando a vítima, fazendo movimentos circulares e sempre fazendo muitos comentários que desbordam da prática médica”.

Outro ponto que chamou a atenção da equipe de investigação foi o comportamento atípico do médico em gerenciar pessoalmente os contatos das vítimas, ignorando o fluxo administrativo da clínica para manter comunicação direta com as mulheres.

O que diz a defesa

A defesa de Marcelo contesta a necessidade da prisão e afirma que o ginecologista é inocente. Em nota oficial enviada ao portal g1, os advogados argumentam que o profissional já está afastado de suas funções e tem colaborado com os investigadores.

“Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação”, declarou a defesa.

Mesmo com a negativa, a Justiça optou por manter a prisão após audiência de custódia realizada na última sexta-feira (24). O inquérito continua colhendo depoimentos, enquanto o número de denúncias pode aumentar conforme o caso ganha repercussão.

Fonte: Correio 24 Horas

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