Sete mulheres são encontradas mortas; polícia investiga possível ligação entre casos

Serviço de Polícia da África do Sul emitiu alerta público para que mulheres tomem precauções ao praticar atividades físicas como corrida na região

Sete mulheres foram encontradas mortas nos últimos dois meses em diferentes pontos de Ekurhuleni, região a leste de Johannesburgo, na África do Sul.

A sequência de casos levou a polícia a investigar uma possível ligação entre as mortes e a emitir um alerta público para que mulheres redobrem os cuidados ao praticar atividades ao ar livre, como corrida. As autoridades, no entanto, ainda não confirmaram a atuação de um assassino em série.

O caso mais recente foi registrado nesta terça-feira (15), quando o corpo de uma mulher foi encontrado em Kwa-Thema, na região de Springs. Segundo a polícia, a vítima estava completamente nua e o corpo apresentava avançado estado de decomposição.

Na segunda-feira (14), outro corpo de mulher havia sido localizado em Olifantsfontein, também em Ekurhuleni. Já no sábado (12), foi encontrado o corpo de Elizabeth “Tsontso” Moselakgomo, de 38 anos, que estava desaparecida desde a semana anterior, quando saiu para correr em Kempton Park.

Os outros casos ocorreram desde julho, nas proximidades de Kempton Park e da rodovia R21. A sequência fez crescer o temor de que as mortes estejam relacionadas. A polícia, porém, afirma que as investigações ainda precisam determinar se existe uma conexão entre os crimes.

A porta-voz do Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS), Athlenda Mathe, afirmou que as semelhanças entre os casos são suficientes para justificar um alerta público e o reforço das investigações. Uma equipe multidisciplinar foi formada para analisar possíveis conexões, identificar os responsáveis e reunir evidências.

O ministro interino da Polícia, Firoz Cachalia, afirmou que a possibilidade de um ou mais criminosos estarem tendo mulheres como alvo exige uma resposta urgente. Ele se reuniu nesta terça-feira com a comissária nacional interina da SAPS, tenente-general Puleng Dimpane, e a equipe responsável pela investigação para avaliar as evidências já reunidas e os próximos passos.

O presidente Cyril Ramaphosa também determinou que as investigações sejam tratadas como prioridade. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, ele afirmou que as autoridades devem fazer todos os esforços para identificar os responsáveis e pediu que pessoas com informações sobre os casos procurem a polícia.

A sequência de mortes ocorre em um país que enfrenta altos índices de violência contra mulheres. A situação provocou preocupação entre moradores e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

A Comissão para a Igualdade de Gênero defendeu uma ação preventiva nas áreas onde os corpos foram encontrados. Entre as medidas sugeridas estão a avaliação da iluminação, da vigilância, das rotas de pedestres e do transporte público, além da presença policial e do acesso a serviços de emergência.

A investigação continua, e as autoridades pedem que a população não divulgue informações não verificadas nem faça acusações sem provas.

Violência 

O país registrou 5.427 homicídios entre abril e julho – uma média de 45 por dia -, segundo as últimas estatísticas criminais

De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a igualdade de gênero, as taxas de feminicídio na África do Sul estão entre as mais altas do mundo.

Um estudo sul-africano realizado em 2022 revelou que mais de 35% das mulheres adultas da África do Sul já tinham sofrido violência física ou sexual em algum momento da vida.

Fonte: Correio 24 horas

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