Os Anos Dourados da Educação em Jacobina

Por João Batista Ferreira 

Nesta segunda-feira (23), uma imagem atravessou o tempo e chegou até nós como chegam as relíquias: silenciosa, mas eloquente. Nela, perfilados com a dignidade dos que sabem a importância do próprio ofício, aparecem professores do Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro, em Jacobina. A fotografia, provavelmente do início da década de 1970, é mais do que um registro escolar. É um documento histórico.

Ali estão homens e mulheres que ajudaram a construir não apenas uma escola, mas uma geração inteira.

Vê-se na imagem a Profa. Mágda, o Prof. Flávio Mesquita (Dr Flavinho.), o Prof. Josué Requião, a Profa. Mirian, a Profa. Edméia, a Profa. Terezinha Rêgo, a Profa. Beca, a Profa. Celma, o Prof. Adonel, a Profa. Maria Adelaide, o Prof. Gilberto, a Profa. Lourdes Pires e o Prof. Manelito. Nomes que, para muitos, não precisam de sobrenome. Bastam os títulos e as lembranças.

Foram mestres que fizeram história.

Para compreender a força dessa fotografia, é preciso voltar no tempo.

O educandário que mais tarde receberia o nome de Deocleciano Barbosa de Castro nasceu de um ideal republicano e pedagógico. Deocleciano, professor formado pela Escola Normal da Bahia, em Salvador, chegou às terras da Chapada Diamantina em janeiro de 1936, atendendo ao convite do comerciante Adonel Moreira de Freitas. Trazia consigo algo raro: a convicção de que a educação era o único caminho possível para transformar destinos.

Em 4 de fevereiro de 1939, iniciaram-se as atividades do então Instituto Senhor do Bonfim em Jacobina. A cidade vivia um momento de transição: deixava para trás os traços de vila interiorana e assumia o perfil de centro urbano em crescimento econômico e político. O Instituto surgia como resposta à necessidade de formar professores e estruturar a educação local, seguindo modelos semelhantes aos da tradicional Escola Normal de Caetité, referência no interior baiano.

Mas a história, como tantas vezes acontece, foi interrompida de forma abrupta. Em 20 de julho de 1940, Deocleciano faleceu repentinamente. Sem seu fundador, o colégio foi fechado. Somente em 1954, já incorporado ao Estado, renasceria como Ginásio Estadual Deocleciano Barbosa de Castro — nome que permaneceria como homenagem definitiva àquele que acreditou na educação como missão.

Décadas depois, já nos anos 1970, o colégio vivia um de seus períodos mais emblemáticos. Era o tempo em que a autoridade do professor se confundia com a autoridade moral da cidade. O aluno que atravessava seus portões carregava um compromisso silencioso: honrar a família e a instituição.

Os formados pelo Deocleciano eram aprovados nas principais universidades da Bahia e do país. Tornaram-se médicos, advogados, engenheiros, comerciantes, servidores públicos. Alguns daqueles próprios educadores enveredaram pela vida pública, sendo eleitos prefeito e deputado pelo município. A escola era, de fato, uma referência educacional.

Não havia computadores. Não havia internet. Havia livros — muitos livros —, quadro-negro, giz e disciplina. Havia, sobretudo, respeito.

Hoje vivemos outra era. O modelo educacional transformou-se. A tecnologia domina as salas de aula. A inteligência artificial substitui pesquisas em enciclopédias. Equipamentos eletrônicos ocupam o espaço onde antes repousavam pilhas de livros.

O mundo tornou-se mais rápido.

Mas será que se tornou melhor?

A fotografia parece nos fazer essa pergunta. Olhando para aqueles rostos sérios, para as roupas formais, para a postura altiva dos mestres, percebe-se algo que não pode ser digitalizado: o compromisso com a formação humana.

Esta não é apenas uma homenagem ao passado. É um reconhecimento.

Reconhecimento a todos os educadores que cumpriram a missão nobre de lecionar no Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro. Homens e mulheres que ensinaram matemática, português e história — mas ensinaram, sobretudo, caráter, responsabilidade e cidadania.

A fotografia é um fragmento do século XX. Mas a lição que ela transmite é eterna.

Porque escolas são feitas de prédios.
Instituições são feitas de pessoas.
E legados são feitos de mestres.

Jacobina pode se orgulhar de sua história educacional. E, ao olhar essa imagem, compreendemos que o verdadeiro patrimônio de uma cidade não está apenas em suas ruas ou edifícios, mas na memória viva daqueles que dedicaram a própria vida à formação de outras.

Que essa fotografia continue circulando.
Que esses nomes nunca sejam esquecidos.
E que as novas gerações compreendam que, antes da tecnologia, houve professores.

E foram eles que construíram tudo o que veio depois.

João Batista Ferreira é radialista. 

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