*Por Josias Gomes –
Antes do fim, as festas tradicionais começam a mostrar o esvaziamento da sua essência. Muito disso acontece quando desprezamos o patrimônio humano que rege todo movimento cultural. No Nordeste, temos visto cidades que estão progressivamente excluindo os artistas da terra da programação do São João.
As nossas músicas juninas, que tanto valorizam o meio rural, as comidas e bebidas típicas, todo o cenário junino que reúne o sagrado e o profano e, sobretudo, a nossa gente, o sotaque e o jeito de ser, passam a ser ofuscadas por músicas que exaltam a traição, a cachaça sem fim, um hedonismo vazio. Existe quem goste, e eu respeito. Mas reforço: “cada galo em seu quintal”. Esses artistas que não dialogam com a cultura junina têm o ano inteiro para se apresentar nessas cidades; não é justo que eles sejam as estrelas principais de uma festa que tem suas próprias raízes e legado.
A participação popular é fundamental nesta luta em defesa do São João tradicional. Mirem no exemplo do carnaval de Salvador, a maior festa de rua do mundo. Por um curto espaço de tempo, outros artistas de fora tentaram ocupar a centralidade da festa. Mas o povo resistiu, e os artistas encontraram um meio-termo, em que figuras de outros gêneros musicais se apresentam de forma colaborativa na festa, a maioria como convidados de Bell, Ivete, BaianaSystem, Carlinhos Brown, blocos afros, dentre outros.
*Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino
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