Porque Você e Seu Filho Deveriam Ler Todos os Dias

Você tem o costume de ler para o seu filho? Uma nova pesquisa da Reading is Fundamental (RIF), empresa ligada à loja de departamentos norte-americana Macy’s, revelou que histórias de ‘era uma vez’ estão ficando cada vez mais abandonadas em um reino tão tão distante. O levantamento feito com mil pais procurava levantar os hábitos de leitura em casa. Apenas 33% deles afirmaram ler histórias para os filhos antes de dormir. Já para 50%, as crianças preferem mesmo é gastar este tempo com TV, tablet e videogame. Vale reforçar que mergulhar em histórias, sejam elas de ficção ou não, é parte importante do desenvolvimento infantil e pode trazer uma série de benefícios. Lucas tem apenas 2 anos de idade e já é a prova de como a leitura faz bem. Recentemente o menino – que houve histórias desde seus 6 meses – surpreendeu toda a família quando, em uma visita ao zoológico, reconheceu a girafa, a abelha e até um tucano. “Ele já tinha visto esses animais antes, nos livros”, conta orgulhosa a mãe Jussara Ribeiro, 37, que é professora de educação infantil e sabe bem a importância da leitura: “Percebo que as crianças se tornam mais criativas, desenvolvem escrita, conseguem ter muitas ideias. O Lucas, por exemplo, nem sabe escrever ainda, mas é bastante curioso e se expressa muito bem”, observa.Estimular a imaginação, aguçar a curiosidade e ajudar no desenvolvimento da linguagem, tanto escrita quanto oral, são atributos pra lá de especiais, mas não acaba por aí. A psicóloga Frinéa Brandão, coordenadora do Grupo Neurofocus Psicoterapias (RJ), explica que as histórias também minimizam aspectos da solidão, já que ampliam várias conexões cerebrais que despertam hormônios do prazer e do relaxamento, quase como uma meditação. “Se você olhar para os olhos de uma criança quando está contanto histórias, vai perceber que eles são ora de admiração, ora de medo e excitação. Isso acontece porque elas estão também aprendendo realidades internas emocionais.” Em uma história bem contada de monstro, de princesa ou de herói, por exemplo, as crianças estão aprendendo a olhar para a própria realidade e a conhecer um pouco mais de si mesmas. E é tão forte o poder de autoconhecimento e transformação de uma história que a Casa do Contador de História, em Curitiba (PR), recorre às narrativas para ajudar crianças que estão passando por problemas físicos e emocionais. Depois de uma conversa prévia com o “paciente”, os contadores montam o chamado cardápio da alma, que contém situações que remetem ao momento em que está vivendo. “Por meio do personagem e de todos os caminhos, provas e processos da narrativa, a criança revê sua situação. Ela se distancia, se projeta no personagem e consegue buscar alternativas dentro dela mesma”, conta Martha Teixeira da Cunha, uma das fundadoras do projeto sem fins lucrativos. are e pense: você está o tempo todo contanto histórias para o seu filho, desde a hora da papinha, explicando sobre a importância dos legumes que estão lá, até quando o coelho da Páscoa e o Papai Noel animam as festas. Frinéa explica que nunca é cedo demais para começar a instigar a imaginação da criança. “Mesmo antes de o bebê balbuciar, os pais já podem começar a contar pequenas histórias, desde que respeitem a capacidade de entendimento do filho. No início, elas precisam ser bem curtinhas e leves. Com o tempo, a própria criança vai começar a pedir mais emoção, o bem e o mal e o monstro.” Com o livro é a mesma coisa: escolher um assunto adequado para a idade dele é fundamental para que haja interesse da criança.

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