A empresária mineira Priscila Lacerda Custodio, 24 anos, relatou ter sofrido agressões e ameaças quatro dias antes de ser morta a tiros pelo namorado, o pecuarista João Roberto Bolelli, 62. O crime aconteceu na noite de terça-feira (27), em Rifaina, no interior de São Paulo. Segundo os relatos prestados à polícia, a jovem estava apreensiva ao viajar para devolver uma caminhonete ao homem e encerrar o relacionamento. As informações são do g1.
Natural de Perdizes, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, Priscila percorreu cerca de 117 quilômetros até Rifaina, acompanhada do irmão e de uma amiga. A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito na quarta-feira (28). Até a última atualização das informações, ele não havia sido localizado e era considerado foragido.
Empresária teria sido agredida dias antes
Em depoimento à polícia, a amiga que acompanhou Priscila contou que a jovem mantinha um relacionamento casual com Bolelli desde julho de 2026. Segundo a testemunha, a empresária relatou ter sido agredida pelo pecuarista na sexta-feira (23), quatro dias antes do crime. A amiga afirmou que viu as lesões.
Priscila também teria contado que o homem ameaçou dar um tiro na cabeça dela e contratou pessoas para monitorá-la. Ainda segundo o relato, ele desconfiava que a jovem estivesse envolvida com outra pessoa e dizia que não permitiria que ela voltasse a Perdizes. Diante das ameaças, a amiga aconselhou Priscila a não viajar sozinha para Rifaina. O irmão também decidiu acompanhá-la após receber uma ligação em que a jovem pediu companhia. Ele relatou à polícia que percebeu que ela estava apreensiva e teve a impressão de que poderia estar sendo intimidada.
Discussão terminou em tiros
Segundo a Polícia Militar, o encontro aconteceu às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo a uma propriedade rural. A discussão teria começado por causa de um celular que Bolelli havia dado à jovem e exigia de volta. De acordo com os depoimentos, Priscila disse que queria ir embora e não pretendia continuar o relacionamento. Durante o desentendimento, o pecuarista sacou uma arma e atirou contra ela. Em seguida, teria apontado a arma para o irmão da vítima, que correu para se proteger.
O irmão socorreu Priscila e a levou ao hospital de Rifaina, mas ela não resistiu aos ferimentos. Segundo o boletim de ocorrência, Bolelli fugiu após o crime na caminhonete que a jovem havia ido devolver. O caso é investigado como feminicídio. A defesa do suspeito informou ao g1 que analisava o caso e ainda não havia conseguido contato com ele.
Priscila trabalhava como empresária na área de marketing digital e também atuava como videomaker, produzindo conteúdo para lojas, casamentos e outros clientes. Nas redes sociais, compartilhava registros de seus trabalhos. Amigas ouvidas pelo g1 descreveram a jovem como alegre, trabalhadora e dedicada à profissão. A psicóloga Fabyana Oliveira, amiga e cliente da empresária, afirmou que Priscila tinha muitos sonhos e projetos.
Juliana Amaral, outra amiga próxima, contou que as duas se conheciam havia três anos e trabalhavam juntas em uma loja de moda. Segundo ela, Priscila planejava comprar um apartamento e estudava marketing digital e fotografia. A jovem foi velada e sepultada na quarta-feira (28), em Perdizes. A família informou que está profundamente abalada com a morte.
Fonte: Correio 24 horas
